PAIS, ALUNOS E ESCOLA: RELAÇÕES DIFÍCEIS?

Mariana Giorgion

Qual a escola ideal para o meu filho? Qual o “pai” e a “mãe” ideal para a minha escola? As relações entre família e escola são marcadas por desencontros, frustrações de expectativas em relação a atitudes e comportamentos idealizados, ou mesmo uma incompreensão sobre o papel atual e possível de cada uma dessas duas instituições na vida da criança.

 

A construção de uma parceria que permita a criança existir como um sujeito pleno de desejo, de direito e de função social, passa por estreitar as relações, a escuta, o conhecimento sobre as bases que edificam esse novo sujeito aprendiz que chega a escola. Educar para a autonomia, a autoria, o senso crítico e a responsabilidade social passa por levar em consideração e respeitar as bases afetivas que constituem o outro, suas necessidades, suas crenças, sua disponibilidade e sua potência.

 

Diante das dificuldades comportamentais e de aprendizagem, facilmente família e escola assumem um discurso de culpabilização, que aumenta ainda mais a distância entre ambas e fixa a criança no lugar de quem não aprende, não se comporta conforme o esperado pelo ideário familiar e/ou escolar.

 

O enfrentamento das dificuldades de escolarização, no que tange as relações entre a família e escola, pode ser muito mais efetivo quando ambas se escutam, se percebem, se respeitam e traçam estratégias comuns que promovam a mobilização, a implicação e o deslocamento da criança em direção a liberdade, a criatividade, a curiosidade e a produtividade na relação com o conhecimento, incluindo aqui o limite, o pode e não pode, na relação com os outros.

 

O primeiro passo é a reflexão de que quem sabe e tem por função fazer escola são os profissionais educadores e quem sabe ser pai e mãe e tem essa função, são os sujeitos que inseriram essa criança no mundo. A partir do respeito ao lugar de cada um na educação, podemos pensar juntos, traçar estratégias, colaborar e intervir, de casa para a escola, e da escola para casa, tendo como foco as necessidades singulares daquela criança.